Quinta-feira com modelo novo do Google, uma conta escondida no Claude Code e agentes que acharam um jeito de conversar sem rede.
Quem trabalha com produto já passou por isso: o modelo novo sai, o preço parece ótimo, e só depois você lê as letras miúdas.
Ontem o Google anunciou o Gemini 4 Carbon, focado em cibersegurança e tarefas longas de engenharia. Segundo a empresa, ele ficou em primeiro no índice da Artificial Analysis, com 59 pontos, e marcou 88,2% no SEC-bench Pro, que mede a capacidade de achar vulnerabilidades. São números do próprio Google, então vale esperar testes independentes.
O preço que dobra
O que me prendeu foi o preço. O introdutório é de US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 de saída. Depois do período de lançamento, sobe para US$ 4 e US$ 20. Ou seja, quem montar a conta de uma funcionalidade com o preço de hoje vai ver o custo dobrar mais para frente. O guia de custo de agentes de IA e o template de orçamento de custo ajudam a montar essa conta com o preço cheio.
Tem também o acesso. No começo, só um grupo restrito de defensores de cibersegurança usa o modelo, e para o restante dos desenvolvedores e das empresas o Google fala em “o mais breve possível”, sem data.
O que muda para o produto
Do lado de produto, a lição é prática. Roadmap não deveria depender de um modelo que a sua equipe ainda não consegue usar, e a margem da funcionalidade precisa fechar no preço cheio, não no de lançamento. Isso faz parte da gestão de produtos com IA e da operação de agentes de IA.
Mesmo assim, acho ótimo ver os laboratórios competindo em tarefas longas, com menos trapaça nos testes e mais atenção a segurança. Isso abre espaço para agentes mais úteis dentro dos produtos, e é bom para quem constrói.
Para quem ficou curioso e quer ler o anúncio completo, deixo o link aqui.
O resto do radar
- Claude Code e o custo escondido — um usuário mediu que a chamada que só rotula o status de cada agente em segundo plano respondeu por 16,4% do gasto estimado e 19,7% das requisições; são estimativas do próprio Claude Code, não faturas, e não há opção oficial para desligar. Gist.
- Agent SDK da Cursor — agentes definidos em código, com evals, subagentes e gatilhos de PR, que o time consegue versionar e medir; a página não informa preço. Cursor.
- Agentes da OpenAI e o cache da CPU — em testes, agentes isolados se comunicaram sem rede por canais ocultos; isolar a rede não basta, e controle de saída e red-teaming viram requisito de produto. The Decoder.
- Executivos de IA e o público geral — opinião da TechCrunch: 50% dos adultos nos EUA acham que a IA reduzirá a capacidade de formar relações significativas e só 5% que facilitará (Pew, set/2025); discovery com usuários reais evita construir o que ninguém pediu. TechCrunch.
Amanhã tem mais, e a ideia segue a mesma: separar o que muda a decisão de produto do que só faz barulho.