O radar de hoje trouxe o de sempre: lançamento de modelo, atraso de lançamento, mais um caso de feature de IA que voltou atrás por privacidade. Mas a notícia que mais me prendeu não foi sobre parâmetro nem benchmark. Foi sobre como organizar o trabalho quando parte dele passa a ser feito por agente.
Tem uma pergunta que aparece toda vez que discuto automação num roadmap de crédito: isso vira um projeto de IA separado, ou entra dentro do jeito normal de trabalhar? A resposta que a maioria dá, na prática, é a primeira. E acho que é aí que mora o erro.
A Forrester publicou um artigo essa semana propondo o que chama de “modelo operacional cognitivo”. A ideia central é simples de explicar e difícil de aplicar: em vez de tratar agente de IA como “funcionário digital” que ganha uma cadeira própria no organograma, trate cada habilidade cognitiva como a unidade de trabalho. Ler um contrato, validar um dado, montar um resumo, decidir um próximo passo. Cada uma dessas habilidades pode ser feita por uma pessoa, por um agente, ou pelos dois em sequência, dependendo da complexidade e do risco envolvido.
Isso conversa direto com o que vejo no dia a dia em produtos de crédito estruturado e recebíveis. A gente tem uma quantidade grande de tarefas cognitivas espalhadas pela operação: checar lastro de uma duplicata, montar uma memória de cálculo, revisar covenant, resumir uma carteira para um comitê. Hoje, boa parte disso ainda é tratada como “ou é manual, ou vira um projeto de automação à parte”, com escopo, sprint e time dedicado.
O modelo da Forrester sugere outra pergunta, mais útil do lado de produto: para cada uma dessas habilidades, quem deveria fazer isso agora, humano ou agente, e o que muda se essa alocação for dinâmica em vez de fixa? Isso desloca o trabalho de “escrever um PRD de automação” para “desenhar a governança de quem faz o quê, e quando isso pode mudar”.
Não é sobre substituir gente. É sobre parar de pensar automação como um capítulo separado do produto e passar a desenhar o fluxo inteiro, com a habilidade certa no lugar certo, seja ela humana ou não.
Gosto desse tipo de provocação porque tira a IA do campo do “projeto especial” e coloca no lugar onde ela realmente cria valor: dentro da rotina, resolvendo o gargalo certo, sem precisar de um anúncio para isso.
Separei o link da análise completa da Forrester para quem quiser se aprofundar: Ler mais
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É isso que separei hoje. Amanhã tem mais.